Hoje Resolvi homenagear um grande nome do Hip Hop que Ă© o "Kanye West"
Este alĂ©m de ser um mostro da produĂ§Ă£o tambĂ©m rima muito.
JĂ¡ passou por muita coisa. Fez, faz e ainda farĂ¡ muita Historia.
EntĂ£o Ă© isso ai !! LEIAM!!
West nasceu em Atlanta, GeĂ³rgia, onde viveu parte de sua infĂ¢ncia. "Kanye" significa "o Ăºnico" em suaĂli. Com o divĂ³rcio dos pais, aos trĂªs anos de idade, Kanye se mudou com a mĂ£e para Chicago, Illinois. Seu pai Ă© Ray West, um ex-membro dos Panteras Negras que foi um dos primeiros fotojornalistas negros do Atlanta Journal-Constitution e hoje Ă© um conselheiro espiritual cristĂ£o. A mĂ£e de Kanye, Dr. Donda West, trabalhou como professora no departamento de inglĂªs da Chicago State University antes de se aposentar para virar a empresĂ¡ria de Kanye, e escrever o sucesso "Raising Kanye" onde ele conta como Ă© e foi a vida com a estrela. Donda feleceu no dia 10 de Novembro de 2007 em funĂ§Ă£o de uma cirurgia estĂ©tica mal-realizada, Kanye nĂ£o conseguiu segurar as lĂ¡grimas e interrompeu seu show em Paris (primeiro desde a morte da mĂ£e) na mĂºsica "Hey Mama". Kanye foi criado em um bairro de classe mĂ©dia alta no bairro suburbano de Oak Lawn.
Depois de frequentar a The American Academy of Art, uma escola para estudantes de arte em Chicago, depois frequentou a Universidade de Chicago, mas veio a desistir para poder começar a trabalhar na carreira musical. Enquanto andava na escola, Kanye jĂ¡ produzia beats para artistas da zona. Veio a ganhar fama mais tarde por produzir mĂºsicas que se vieram a tornar hits para, na maioria, artistas de hip-hop/R&B, entre eles Common, Jadakiss, The Game, Alicia Keys, Foxy Brown, Jay-Z, Memphis Bleek, Beanie Sigel, Cam'Ron, Janet Jackson, Hugh "MC Son" Ryan, Brandy, Eminem, Talib Kweli, Keyshia Cole, Dilated Peoples, Ludacris, Lupe Fiasco, e John Legend. Em 23 de Outubro de 2002, teve um acidente de automĂ³vel, adormeceu numa noite em que vinha do estĂºdio e segundo ele estava bastante cansado, o carro despistou-se, Kanye West teve perto de morrer nessa noite, o seu queixo ficou partido em 3 partes, hoje anda com uma barra de metal no queixo.
A carreira de produtor/rapper começou com o produtor NO I.D. que produzia o Common. NO I.D. encorajou Kanye a samplear hits antigos de Soul e dar um “sabor” novo para eles. Mas Kanye era mais que um produtor, era um rapper, sĂ³ que as gravadoras nĂ£o viam isso. Tudo mudou quando Kanye conheceu Damon Dash e Jay-Z, CEOs da Roc-A-Fella Records. Kanye passou a produzir muitos beats para Jay-Z, fazendo um disco clĂ¡ssico em The Blueprint. E com a aposentadoria de Jay-Z, Kanye se tornou o artista com mais vendas no time da Roc provando que esse jovem da Chi Town pode fazer as cabeças baterem ao redor do mundo.

Kanye West, rapper e produtor originĂ¡rio de Chicago, começou por se notabilizar produzindo temas, que se revelaram grandes sucessos, para Jay-Z e outros rappers da Roc-A-Fella, Talib Kweli, e muitos outros.
Durante este perĂodo em que se dedicava exclusivamente Ă produĂ§Ă£o, foi melhorando de dia para dia nessa actividade, nĂ£o sendo portanto de estranhar que os instrumentais do seu primeiro Ă¡lbum fossem de uma qualidade muito boa.
Beats de Kanye sĂ£o por si sĂ³ uma quase total de garantia de um hit, sendo College Dropout um Ă¡lbum inteiramente por si produzido, Ă© fĂ¡cil o nĂvel do primeiro Ă¡lbum do rapper.
Primeiro foram lançados os singles «Trough the Wire» e «Slow Jamz», com Jamie Foxx e Twista, que representaram para o artista uma auspiciosa estreia enquanto rapper, sendo estes dois temas estrondosos sucessos junto dos ouvintes.
O estilo de produzir de Kanye Ă© sempre baseado em samples, no caso de «Trough The Wire» utiliza um sample de «Trough The Fire» da cantora Chaka Khan.
Pouco tempo depois surge College Dropout, trazendo consigo os dois temas acima referidos e ainda mĂºsicas como «Two Words», com Mos Def e Freeway, Jesus Walks e All Falls Down, com Syleena Johnson.
O Ă¡lbum foi sem dĂºvida uma entrada com o pĂ© direito de Kanye na indĂºstria musical, o Ă¡lbum teve uma extraordinĂ¡ria aceitaĂ§Ă£o por parte do pĂºblico. Em muito contribui a consistĂªncia do Ă¡lbum quer a nĂvel de instrumentais quer a nĂvel de letras. Deste modo agradou tanto aos ouvintes da cena mais mainstream, como aos ouvintes que preferem o underground.
Contudo nem tudo sĂ£o rosas na vida de Kanye, apĂ³s o lançamento do Ă¡lbum, e de participações em Ă¡lbuns de outros artistas como a ser 'acusado' de apenas produzir com base em samples. Por outro lado, apĂ³s o mega-Ăªxito «Jesus Walks», o rapper Rhymefest surge reclamando ser o autor da letra do tema que trouxe a Kanye mais um grande sucesso comercial.
Kanye West estĂ¡ tambĂ©m ligado ao Ă¡lbum de estreia de outro dos rappers do momento, falo de The Game. Kanye produz neste Ă¡lbum o tema «Dreams», resultado 'curiosamente' em mais um hit.
Kanye West produz ainda a quase totalidade do novo Ă¡lbum de Common, Be, fazendo excelente trabalho em temas como «The Corner», «The Food» e «Go!», auxĂliando da melhor maneira Common a regressar Ă sua melhor forma, depois do mal acolhido Electric Circus.
Apenas um ano depois do lançamento do seu Ă¡lbum de estreia, o MC de Chicago regressa com o single «Diamonds (From Sierra Leone)», deixando no ar as melhores expectativas para o seu novo trabalho Late Registration que sairia pouco tempo depois.
E se as expectativas eram elevadas, Kanye em muito as superou com este seu novo Ă¡lbum, provando que o seu talento nĂ£o serĂ¡, de forma alguma, efĂ©mero como o de muitos que surgem neste 'jogo'.
O segundo single extraĂdo deste Ă¡lbum Ă© «Gold Digger», com a colaboraĂ§Ă£o de Jamie Foxx, que jĂ¡ havia participado em College Dropout. Neste tema Kanye utiliza um sample de «I Got A Woman» do eterno Ray Charles.
Mais uma vez o Ă¡lbum traz consigo a polĂ©mica, deste feita por Jay-Z, presidente da Def Jam, ter cortado a participaĂ§Ă£o de The Game no tema «Crack Music», por existerem conflitos entre Jigga e o rapper de Compton.
Kanye West tem o mundo a seus pĂ©s. Afirmou-se, hĂ¡ dois anos, como uma voz a ouvir. Nunca foi grande rapper, sempre foi melhor produtor (jĂ¡ o era hĂ¡ anos e anos antes disso, trabalhando quase sempre ao lado de Just Blaze para nomes como Jay-Z, Talib Kweli, Alicia Keys, Ludacris, etc.) do que MC. Mas sempre esteve consciente disso. Assim, ciente das suas limitações como rapper, sempre soube como tirar o maior partido da sua voz. Junte-se isso a um magnĂfico ouvido para tirar da mĂºsica dos outros as melhores melodias e a forma mĂ¡gica como junta tudo em estĂºdio e sabe adaptar isso Ă sua voz e tem-se a fĂ³rmula para o sucesso. Pode tambĂ©m envolver (ou nĂ£o), samples acelerados de gente como Aretha Franklin, Chaka Khan, Etta James, Gil Scott-Herron ou Otis Redding, numa tĂ©cnica que pode ser tĂ£o boa quanto mĂ¡ (como no exemplo mĂ¡ximo do super-irritante Akon e do seu “Mr. Lonely”).
Para alĂ©m da mĂºsica, sempre houve em West um desejo de se impor e de se mostrar como Ă©. E uma auto-confiança auto-imposta que contrasta com o seu começo de puto esquisito e introvertido que começou a fazer beats para os outros e de quem toda a gente se riu quando começou a rimar. Que nĂ£o haja dĂºvidas, West era um daqueles putos que levavam muita porrada na escola e se refugiava na mĂºsica. Do “George Bush doesn’t care about black people” Ă capa da Rolling Stone vestido de Jesus, West sempre quis ser o maior artista do mundo. Tinha um sonho e quis cumpri-lo: tocar no cĂ©u. E, surpreendemente, conseguiu. NĂ£o o fez como o seu amigo Jay-Z, nĂ£o diz “cheguei, cheguem-se para lĂ¡, sou o melhor, nĂ£o se metam comigo senĂ£o levam”, disse “cheguei e sou o melhor, vou conseguir” (sem a parte da violĂªncia e de dizer mal de toda a gente a que Jay-Z entretanto renunciou). E conseguiu.
EntĂ£o aqui temos, um dos maiores artistas do mundo a dizer “The roc is in the building”, a falar de edifĂcios num espaço ao ar-livre. É estranho ver como Kanye West passou os Ăºltimos dois anos, desde a ediĂ§Ă£o de College Dropout, a tornar-se um entertainer de alto calibre. SĂ³ a prĂ³pria figura dele impõe respeito, de camisa preta, calças pretas e, ao peito, o famoso colar de ouro com uma representaĂ§Ă£o de Jesus feita pelo recĂ©m-imprisionado Jacob the Jeweler. Tem os seus prĂ³prios movimentos, a forma como pĂ¡ra e se põe de lado a dançar e a rimar, a forma como incita e motiva o pĂºblico e, especialmente, a forma como consegue provar todas as suas mais-valias. Traz, com ele, uma secĂ§Ă£o de cordas e uma harpa, dois cantores e um DJ, A-Trak, para mostrar o que vale.
Começa com “Diamonds”, numa introduĂ§Ă£o um pouco longa de cordas que sĂ³ depois revela qual Ă© o tema de que se trata. E, maior do que a vida, Kanye entra em palco e, enquanto diz a frase de ordem (“Throw yo’ diamonds in the sky if you feel the vibe”),pede a toda a gente para pĂ´r os dedos em forma de diamante, o sĂmbolo da editora Roc-A-Fella. O pĂºblico nĂ£o percebe bem, mas isso Ă© acessĂ³rio. Toda a gente conhece a canĂ§Ă£o, as canções, mesmo que a remistura (com a participaĂ§Ă£o de Jay-Z) seja bem melhor, mesmo nas rimas de Kanye. Esse Ă© um dos problemas de, basicamente, todos os concertos de hip-hop. Num gĂ©nero feito de promiscuidade de participações, serĂ¡ sempre difĂcil transpor isso para o vivo (basta ver o nĂºmero de colaborações de Jay-Z desde que se “reformou” da carreira a solo hĂ¡ trĂªs anos, Ă© assustador). É incomportĂ¡vel trazer-se todos os convidados, isso sĂ³ poderĂ¡ acontecer em ocasiões especiais. Porque os cantores sĂ£o substituĂveis, os rappers nĂ£o.
O som nĂ£o estĂ¡ muito bom, ao princĂpio, muita coisa demasiado alta, e Kanye ainda nĂ£o entrou na sua melhor forma como rapper e parece que vai necessitar de um hypeman (alguĂ©m que sublinhe as suas frases e o ajude a fazer-se entender). Mas, Ă segunda ou terceira canĂ§Ă£o, jĂ¡ estĂ¡ perfeitamente confortĂ¡vel e nĂ£o precisa disso para nada. HĂ¡ um desfilar de Ăªxitos de The College Dropout e Late Registration, e toda a gente os conhece. As suas fraquezas como rapper nĂ£o invalidam que quase todas as suas frases tenham as suas peculiaridades, o seu flow fraco nĂ£o invalida que arranje soluções criativas para a forma como diz as coisas, tornando virtualmente tudo o que diz em rebuçados pop de alto nĂvel.
Como se evidenciou no inĂcio como produtor, Kanye tem a impressĂ£o de que deve mostrar algum do seu trabalho. LĂ¡ no meio, “Can I Live?”, entre outras faixas de Jay-Z, foram passadas do nada sem apresentaĂ§Ă£o. JĂ¡ com apresentaĂ§Ă£o, um bocado depois, “You Don’t Know My Name”, de Alicia Keys, ou “Get By”, de Talib Kweli, bem como “Encore” e “Izzo (H.O.V.A.)” (“that’s the anthem, get yo’ damn hands up), tambĂ©m de Jay-Z. No final do tema de Alicia Keys, cantou um bocado, Ă¡ primeira atĂ© se safou bem, mas quis demasiado, nĂ£o que seja um mau cantor, mas nĂ£o Ă© propriamente aĂ que estĂ¡ a sua vocaĂ§Ă£o. A surpresa maior foi quando decidiu mostrar canções que o influenciaram. Entre outras, Al Green e A-Ha. E nota-se mesmo que Ă© um fĂ£ tremendo das canções, finge que canta todas as palavras, sabe as letras todas e mostra-se verdadeiramente entusiasmado com elas.
A banda começa a tocar “Eleanor Rigby”, dos Beatles, e rapidamente passa para “Crazy”, dos Gnarls Barkley. É interessante ver como “Crazy”, uma das melhores canções do ano, resulta muito mal sem a voz peculiar e estranha de Cee-Lo Green, e como soa banal quando cantada por um homem e uma mulher perfeitamente anĂ³nimos e genĂ©ricos. Depois disso, a banda toca “Bittersweet Symphony” dos Verve, e Kanye, que entretanto tinha saĂdo, volta ao palco para um freestyle claramente ensaiado em que menciona Portugal. Em termos de produções, tambĂ©m passa, lĂ¡ no meio, “Overnight Sensation”, de Twista, e “Brand New” de Rhymesfest (conhecido por ter co-escrito “Jesus Walks” com West). Temas como “Hey Mama” ou “We Don’t Care” sĂ£o enormes ao vivo, como todas as suas melhores canções, mas algo falha em “Slow Jamz”, um dos singles mais mediĂ¡ticos dele, aquele que lhe trouxe mais fama. NĂ£o Ă© Ă toa que hĂ¡ duas versões, uma como single de Kanye West e outra como single de Twista. É que a canĂ§Ă£o Ă© tanto de Twista e do seu flow ultra-rĂ¡pido quanto de West. E Ă© ainda mais de Jamie Foxx, cuja voz estava lĂ¡, samplada. Mas quando se retira muitos dos seus pormenores, a canĂ§Ă£o nĂ£o soa assim tĂ£o bem. Falta o falsete deliciosamente foleiro de Foxx a dizer os nomes de todos os artistas que mais bem servem para fazer bebĂ©s, em rimas parvas como “Sly & The Family Stone, let’s get the party on” ou “Al Green, aaaaaaah, Al Green, aaaaaaah”. TambĂ©m nĂ£o ajuda o facto de a prĂ³pria voz de West estar samplada e A-Trax insistir num irritante jogo de pĂ¡ra-arranca para um Kanye West sorridente.
HĂ¡ quem diga que Kanye West se espalha ao comprido quando quer ser Ă©pico. Nada mais errado. HĂ¡ algo de verdadeiramente fascinante, emocionante e grande (mesmo para um agnĂ³stico) em “Jesus Walks”. Com samples de um coro gospel, com vozes loopadas a cantar “pom-pom pom-pom-pom”, Ă© uma das canções maiores de West, e uma experiĂªncia avassaladora ao vivo. E contraria a teoria de que West sĂ³ funciona bem com outros rappers (mesmo que tenha sido co-escrita por Rhymefest, a sua voz Ă© a Ăºnica que se ouve lĂ¡). É realmente enorme e avassaladora, a interpretaĂ§Ă£o e a canĂ§Ă£o. “Through the Wire” tambĂ©m resulta muito bem, a histĂ³ria de alguĂ©m que teve um acidente e transformou-o em canĂ§Ă£o, samplando velozmente Chaka Khan e rimando com o flow peculiar de quem tem o queixo danificado. Interpreta-a com uma perna Ă s costas, sem problemas, imitando na perfeiĂ§Ă£o a forma Ăºnica como rima na gravaĂ§Ă£o.
O espectĂ¡culo acaba num clĂmax enorme, “Touch The Sky”, produĂ§Ă£o de Just Blaze (a Ăºnica faixa nos seus dois discos que nĂ£o foi produzida por West) que retira imenso de “Move On Up”, de Curtis Mayfield, mas faz com que toda a gente se esqueça da canĂ§Ă£o por nĂ£o haver o refrĂ£o em falsete. Mesmo nĂ£o estando lĂ¡ Lupe Fiasco (afinal, foi esta a canĂ§Ă£o que o mostrou ao mundo pop, mesmo que “Kick, Push” tambĂ©m seja um single magistral, nĂ£o chega aos calcanhares da exposiĂ§Ă£o de “Touch The Sky”), funciona perfeitamente. Kanye diz que quer tocar no cĂ©u, e quase que toca. Porque Ă©, neste momento, um dos maiores artistas do mundo, tem toda a gente a seus pĂ©s, e Ă© por isso que se pode safar com as maiores arrogancias de sempre. Engana-se numa parte e pede para os mĂºsicos recomeçarem. E recomeçam, mas mesmo do princĂpio. Depois diz que nĂ£o vai repetir o concerto todo, estĂ¡ demasiado cantado, e volta a “Touch The Sky”. E toca mesmo no cĂ©u. É que Kanye West, mesmo grande, enorme, maior do que a vida, continua a ser aquele puto esquisito apaixonado por mĂºsica que vĂª aquilo como um escape e que promete Ă mĂ£e que um dia vai ser grande e vai pagar-lhe tudo o que ela quiser. Ainda continua extremamente entusiasmado com tudo isto, e sabe dar aos outros o que querem dele. É um entertainer confiante, alguĂ©m que trabalhou muito para chegar onde estĂ¡ (basta ver pelo VH1 Hip-Hop Honors 2006, programa do VH1 dedicado ao hip-hop onde West interpretou, de forma surpreendentemente competente, um tema de Notorious B.I.G., notĂ³rio nĂ£o sĂ³ por ter sido assassinado mas tambĂ©m por ter um dos flows mais complexos e peculiares de que hĂ¡ memĂ³ria), e sabe perfeitamente que o merece. Isso Ă© confundido com arrogĂ¢ncia, mas ele nĂ£o deixa de ser um misto de certezas e incertezas sobre ele prĂ³prio, um artista que vive da dicotomia entre a auto-confiança e a insegurança. E o trabalho levou-o a tocar no cĂ©u e a crescer de um rapper estranho para um artista maior do que a vida, uma figura avassaladora e dona de um grande, enorme, e surpreendente espectĂ¡culo. Dos beats lançados por A-Trak (que Ă© um Ă³ptimo DJ com muito boa tĂ©cnica) aos arranjos de cordas (que dĂ£o mais do que seria de esperar Ă mĂºsica), o puto que era nerd e se tornou na epĂtome de cool mostrou realmente o que vale e confirmou-se nĂ£o sĂ³ como um enorme produtor e bom rapper, mas tambĂ©m como um animal de palco.
Este alĂ©m de ser um mostro da produĂ§Ă£o tambĂ©m rima muito.
JĂ¡ passou por muita coisa. Fez, faz e ainda farĂ¡ muita Historia.
EntĂ£o Ă© isso ai !! LEIAM!!
Depois de frequentar a The American Academy of Art, uma escola para estudantes de arte em Chicago, depois frequentou a Universidade de Chicago, mas veio a desistir para poder começar a trabalhar na carreira musical. Enquanto andava na escola, Kanye jĂ¡ produzia beats para artistas da zona. Veio a ganhar fama mais tarde por produzir mĂºsicas que se vieram a tornar hits para, na maioria, artistas de hip-hop/R&B, entre eles Common, Jadakiss, The Game, Alicia Keys, Foxy Brown, Jay-Z, Memphis Bleek, Beanie Sigel, Cam'Ron, Janet Jackson, Hugh "MC Son" Ryan, Brandy, Eminem, Talib Kweli, Keyshia Cole, Dilated Peoples, Ludacris, Lupe Fiasco, e John Legend. Em 23 de Outubro de 2002, teve um acidente de automĂ³vel, adormeceu numa noite em que vinha do estĂºdio e segundo ele estava bastante cansado, o carro despistou-se, Kanye West teve perto de morrer nessa noite, o seu queixo ficou partido em 3 partes, hoje anda com uma barra de metal no queixo.
A carreira de produtor/rapper começou com o produtor NO I.D. que produzia o Common. NO I.D. encorajou Kanye a samplear hits antigos de Soul e dar um “sabor” novo para eles. Mas Kanye era mais que um produtor, era um rapper, sĂ³ que as gravadoras nĂ£o viam isso. Tudo mudou quando Kanye conheceu Damon Dash e Jay-Z, CEOs da Roc-A-Fella Records. Kanye passou a produzir muitos beats para Jay-Z, fazendo um disco clĂ¡ssico em The Blueprint. E com a aposentadoria de Jay-Z, Kanye se tornou o artista com mais vendas no time da Roc provando que esse jovem da Chi Town pode fazer as cabeças baterem ao redor do mundo.

Kanye West, rapper e produtor originĂ¡rio de Chicago, começou por se notabilizar produzindo temas, que se revelaram grandes sucessos, para Jay-Z e outros rappers da Roc-A-Fella, Talib Kweli, e muitos outros.
Durante este perĂodo em que se dedicava exclusivamente Ă produĂ§Ă£o, foi melhorando de dia para dia nessa actividade, nĂ£o sendo portanto de estranhar que os instrumentais do seu primeiro Ă¡lbum fossem de uma qualidade muito boa.
Beats de Kanye sĂ£o por si sĂ³ uma quase total de garantia de um hit, sendo College Dropout um Ă¡lbum inteiramente por si produzido, Ă© fĂ¡cil o nĂvel do primeiro Ă¡lbum do rapper.
Primeiro foram lançados os singles «Trough the Wire» e «Slow Jamz», com Jamie Foxx e Twista, que representaram para o artista uma auspiciosa estreia enquanto rapper, sendo estes dois temas estrondosos sucessos junto dos ouvintes.
O estilo de produzir de Kanye Ă© sempre baseado em samples, no caso de «Trough The Wire» utiliza um sample de «Trough The Fire» da cantora Chaka Khan.
Pouco tempo depois surge College Dropout, trazendo consigo os dois temas acima referidos e ainda mĂºsicas como «Two Words», com Mos Def e Freeway, Jesus Walks e All Falls Down, com Syleena Johnson.
O Ă¡lbum foi sem dĂºvida uma entrada com o pĂ© direito de Kanye na indĂºstria musical, o Ă¡lbum teve uma extraordinĂ¡ria aceitaĂ§Ă£o por parte do pĂºblico. Em muito contribui a consistĂªncia do Ă¡lbum quer a nĂvel de instrumentais quer a nĂvel de letras. Deste modo agradou tanto aos ouvintes da cena mais mainstream, como aos ouvintes que preferem o underground.
Contudo nem tudo sĂ£o rosas na vida de Kanye, apĂ³s o lançamento do Ă¡lbum, e de participações em Ă¡lbuns de outros artistas como a ser 'acusado' de apenas produzir com base em samples. Por outro lado, apĂ³s o mega-Ăªxito «Jesus Walks», o rapper Rhymefest surge reclamando ser o autor da letra do tema que trouxe a Kanye mais um grande sucesso comercial.
Kanye West estĂ¡ tambĂ©m ligado ao Ă¡lbum de estreia de outro dos rappers do momento, falo de The Game. Kanye produz neste Ă¡lbum o tema «Dreams», resultado 'curiosamente' em mais um hit.
Kanye West produz ainda a quase totalidade do novo Ă¡lbum de Common, Be, fazendo excelente trabalho em temas como «The Corner», «The Food» e «Go!», auxĂliando da melhor maneira Common a regressar Ă sua melhor forma, depois do mal acolhido Electric Circus.
Apenas um ano depois do lançamento do seu Ă¡lbum de estreia, o MC de Chicago regressa com o single «Diamonds (From Sierra Leone)», deixando no ar as melhores expectativas para o seu novo trabalho Late Registration que sairia pouco tempo depois.
E se as expectativas eram elevadas, Kanye em muito as superou com este seu novo Ă¡lbum, provando que o seu talento nĂ£o serĂ¡, de forma alguma, efĂ©mero como o de muitos que surgem neste 'jogo'.
O segundo single extraĂdo deste Ă¡lbum Ă© «Gold Digger», com a colaboraĂ§Ă£o de Jamie Foxx, que jĂ¡ havia participado em College Dropout. Neste tema Kanye utiliza um sample de «I Got A Woman» do eterno Ray Charles.
Mais uma vez o Ă¡lbum traz consigo a polĂ©mica, deste feita por Jay-Z, presidente da Def Jam, ter cortado a participaĂ§Ă£o de The Game no tema «Crack Music», por existerem conflitos entre Jigga e o rapper de Compton.
Para alĂ©m da mĂºsica, sempre houve em West um desejo de se impor e de se mostrar como Ă©. E uma auto-confiança auto-imposta que contrasta com o seu começo de puto esquisito e introvertido que começou a fazer beats para os outros e de quem toda a gente se riu quando começou a rimar. Que nĂ£o haja dĂºvidas, West era um daqueles putos que levavam muita porrada na escola e se refugiava na mĂºsica. Do “George Bush doesn’t care about black people” Ă capa da Rolling Stone vestido de Jesus, West sempre quis ser o maior artista do mundo. Tinha um sonho e quis cumpri-lo: tocar no cĂ©u. E, surpreendemente, conseguiu. NĂ£o o fez como o seu amigo Jay-Z, nĂ£o diz “cheguei, cheguem-se para lĂ¡, sou o melhor, nĂ£o se metam comigo senĂ£o levam”, disse “cheguei e sou o melhor, vou conseguir” (sem a parte da violĂªncia e de dizer mal de toda a gente a que Jay-Z entretanto renunciou). E conseguiu.
EntĂ£o aqui temos, um dos maiores artistas do mundo a dizer “The roc is in the building”, a falar de edifĂcios num espaço ao ar-livre. É estranho ver como Kanye West passou os Ăºltimos dois anos, desde a ediĂ§Ă£o de College Dropout, a tornar-se um entertainer de alto calibre. SĂ³ a prĂ³pria figura dele impõe respeito, de camisa preta, calças pretas e, ao peito, o famoso colar de ouro com uma representaĂ§Ă£o de Jesus feita pelo recĂ©m-imprisionado Jacob the Jeweler. Tem os seus prĂ³prios movimentos, a forma como pĂ¡ra e se põe de lado a dançar e a rimar, a forma como incita e motiva o pĂºblico e, especialmente, a forma como consegue provar todas as suas mais-valias. Traz, com ele, uma secĂ§Ă£o de cordas e uma harpa, dois cantores e um DJ, A-Trak, para mostrar o que vale.
Começa com “Diamonds”, numa introduĂ§Ă£o um pouco longa de cordas que sĂ³ depois revela qual Ă© o tema de que se trata. E, maior do que a vida, Kanye entra em palco e, enquanto diz a frase de ordem (“Throw yo’ diamonds in the sky if you feel the vibe”),pede a toda a gente para pĂ´r os dedos em forma de diamante, o sĂmbolo da editora Roc-A-Fella. O pĂºblico nĂ£o percebe bem, mas isso Ă© acessĂ³rio. Toda a gente conhece a canĂ§Ă£o, as canções, mesmo que a remistura (com a participaĂ§Ă£o de Jay-Z) seja bem melhor, mesmo nas rimas de Kanye. Esse Ă© um dos problemas de, basicamente, todos os concertos de hip-hop. Num gĂ©nero feito de promiscuidade de participações, serĂ¡ sempre difĂcil transpor isso para o vivo (basta ver o nĂºmero de colaborações de Jay-Z desde que se “reformou” da carreira a solo hĂ¡ trĂªs anos, Ă© assustador). É incomportĂ¡vel trazer-se todos os convidados, isso sĂ³ poderĂ¡ acontecer em ocasiões especiais. Porque os cantores sĂ£o substituĂveis, os rappers nĂ£o.
O som nĂ£o estĂ¡ muito bom, ao princĂpio, muita coisa demasiado alta, e Kanye ainda nĂ£o entrou na sua melhor forma como rapper e parece que vai necessitar de um hypeman (alguĂ©m que sublinhe as suas frases e o ajude a fazer-se entender). Mas, Ă segunda ou terceira canĂ§Ă£o, jĂ¡ estĂ¡ perfeitamente confortĂ¡vel e nĂ£o precisa disso para nada. HĂ¡ um desfilar de Ăªxitos de The College Dropout e Late Registration, e toda a gente os conhece. As suas fraquezas como rapper nĂ£o invalidam que quase todas as suas frases tenham as suas peculiaridades, o seu flow fraco nĂ£o invalida que arranje soluções criativas para a forma como diz as coisas, tornando virtualmente tudo o que diz em rebuçados pop de alto nĂvel.
Como se evidenciou no inĂcio como produtor, Kanye tem a impressĂ£o de que deve mostrar algum do seu trabalho. LĂ¡ no meio, “Can I Live?”, entre outras faixas de Jay-Z, foram passadas do nada sem apresentaĂ§Ă£o. JĂ¡ com apresentaĂ§Ă£o, um bocado depois, “You Don’t Know My Name”, de Alicia Keys, ou “Get By”, de Talib Kweli, bem como “Encore” e “Izzo (H.O.V.A.)” (“that’s the anthem, get yo’ damn hands up), tambĂ©m de Jay-Z. No final do tema de Alicia Keys, cantou um bocado, Ă¡ primeira atĂ© se safou bem, mas quis demasiado, nĂ£o que seja um mau cantor, mas nĂ£o Ă© propriamente aĂ que estĂ¡ a sua vocaĂ§Ă£o. A surpresa maior foi quando decidiu mostrar canções que o influenciaram. Entre outras, Al Green e A-Ha. E nota-se mesmo que Ă© um fĂ£ tremendo das canções, finge que canta todas as palavras, sabe as letras todas e mostra-se verdadeiramente entusiasmado com elas.
A banda começa a tocar “Eleanor Rigby”, dos Beatles, e rapidamente passa para “Crazy”, dos Gnarls Barkley. É interessante ver como “Crazy”, uma das melhores canções do ano, resulta muito mal sem a voz peculiar e estranha de Cee-Lo Green, e como soa banal quando cantada por um homem e uma mulher perfeitamente anĂ³nimos e genĂ©ricos. Depois disso, a banda toca “Bittersweet Symphony” dos Verve, e Kanye, que entretanto tinha saĂdo, volta ao palco para um freestyle claramente ensaiado em que menciona Portugal. Em termos de produções, tambĂ©m passa, lĂ¡ no meio, “Overnight Sensation”, de Twista, e “Brand New” de Rhymesfest (conhecido por ter co-escrito “Jesus Walks” com West). Temas como “Hey Mama” ou “We Don’t Care” sĂ£o enormes ao vivo, como todas as suas melhores canções, mas algo falha em “Slow Jamz”, um dos singles mais mediĂ¡ticos dele, aquele que lhe trouxe mais fama. NĂ£o Ă© Ă toa que hĂ¡ duas versões, uma como single de Kanye West e outra como single de Twista. É que a canĂ§Ă£o Ă© tanto de Twista e do seu flow ultra-rĂ¡pido quanto de West. E Ă© ainda mais de Jamie Foxx, cuja voz estava lĂ¡, samplada. Mas quando se retira muitos dos seus pormenores, a canĂ§Ă£o nĂ£o soa assim tĂ£o bem. Falta o falsete deliciosamente foleiro de Foxx a dizer os nomes de todos os artistas que mais bem servem para fazer bebĂ©s, em rimas parvas como “Sly & The Family Stone, let’s get the party on” ou “Al Green, aaaaaaah, Al Green, aaaaaaah”. TambĂ©m nĂ£o ajuda o facto de a prĂ³pria voz de West estar samplada e A-Trax insistir num irritante jogo de pĂ¡ra-arranca para um Kanye West sorridente.
HĂ¡ quem diga que Kanye West se espalha ao comprido quando quer ser Ă©pico. Nada mais errado. HĂ¡ algo de verdadeiramente fascinante, emocionante e grande (mesmo para um agnĂ³stico) em “Jesus Walks”. Com samples de um coro gospel, com vozes loopadas a cantar “pom-pom pom-pom-pom”, Ă© uma das canções maiores de West, e uma experiĂªncia avassaladora ao vivo. E contraria a teoria de que West sĂ³ funciona bem com outros rappers (mesmo que tenha sido co-escrita por Rhymefest, a sua voz Ă© a Ăºnica que se ouve lĂ¡). É realmente enorme e avassaladora, a interpretaĂ§Ă£o e a canĂ§Ă£o. “Through the Wire” tambĂ©m resulta muito bem, a histĂ³ria de alguĂ©m que teve um acidente e transformou-o em canĂ§Ă£o, samplando velozmente Chaka Khan e rimando com o flow peculiar de quem tem o queixo danificado. Interpreta-a com uma perna Ă s costas, sem problemas, imitando na perfeiĂ§Ă£o a forma Ăºnica como rima na gravaĂ§Ă£o.
O espectĂ¡culo acaba num clĂmax enorme, “Touch The Sky”, produĂ§Ă£o de Just Blaze (a Ăºnica faixa nos seus dois discos que nĂ£o foi produzida por West) que retira imenso de “Move On Up”, de Curtis Mayfield, mas faz com que toda a gente se esqueça da canĂ§Ă£o por nĂ£o haver o refrĂ£o em falsete. Mesmo nĂ£o estando lĂ¡ Lupe Fiasco (afinal, foi esta a canĂ§Ă£o que o mostrou ao mundo pop, mesmo que “Kick, Push” tambĂ©m seja um single magistral, nĂ£o chega aos calcanhares da exposiĂ§Ă£o de “Touch The Sky”), funciona perfeitamente. Kanye diz que quer tocar no cĂ©u, e quase que toca. Porque Ă©, neste momento, um dos maiores artistas do mundo, tem toda a gente a seus pĂ©s, e Ă© por isso que se pode safar com as maiores arrogancias de sempre. Engana-se numa parte e pede para os mĂºsicos recomeçarem. E recomeçam, mas mesmo do princĂpio. Depois diz que nĂ£o vai repetir o concerto todo, estĂ¡ demasiado cantado, e volta a “Touch The Sky”. E toca mesmo no cĂ©u. É que Kanye West, mesmo grande, enorme, maior do que a vida, continua a ser aquele puto esquisito apaixonado por mĂºsica que vĂª aquilo como um escape e que promete Ă mĂ£e que um dia vai ser grande e vai pagar-lhe tudo o que ela quiser. Ainda continua extremamente entusiasmado com tudo isto, e sabe dar aos outros o que querem dele. É um entertainer confiante, alguĂ©m que trabalhou muito para chegar onde estĂ¡ (basta ver pelo VH1 Hip-Hop Honors 2006, programa do VH1 dedicado ao hip-hop onde West interpretou, de forma surpreendentemente competente, um tema de Notorious B.I.G., notĂ³rio nĂ£o sĂ³ por ter sido assassinado mas tambĂ©m por ter um dos flows mais complexos e peculiares de que hĂ¡ memĂ³ria), e sabe perfeitamente que o merece. Isso Ă© confundido com arrogĂ¢ncia, mas ele nĂ£o deixa de ser um misto de certezas e incertezas sobre ele prĂ³prio, um artista que vive da dicotomia entre a auto-confiança e a insegurança. E o trabalho levou-o a tocar no cĂ©u e a crescer de um rapper estranho para um artista maior do que a vida, uma figura avassaladora e dona de um grande, enorme, e surpreendente espectĂ¡culo. Dos beats lançados por A-Trak (que Ă© um Ă³ptimo DJ com muito boa tĂ©cnica) aos arranjos de cordas (que dĂ£o mais do que seria de esperar Ă mĂºsica), o puto que era nerd e se tornou na epĂtome de cool mostrou realmente o que vale e confirmou-se nĂ£o sĂ³ como um enorme produtor e bom rapper, mas tambĂ©m como um animal de palco.


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Young Will





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